Quase ninguém mais se lembra do empresário Arlindo Conde, nem mesmo para dizer que ele era o pai do roqueiro Fernando Conde, Por isso, quero aqui prestar-lhe uma devida homenagem.
Arlindo Conde fez muito pela música portuguesa no início dos anos 60. O seu passatempo PAC (Produções Arlindo Conde) que acontecia no Eden Teatro aos domingos de manhã, foi o mais importante acontecimento musical lisboeta (quiçá nacional) durante muito tempo.
Fala-se muito dos concursos de rock do Teatro Monumental e outras iniciativas semelhantes promovidas por outros empresários. Só o que ninguém diz é que esses outros empresários não pagavam aos artistas, ficavam-lhes a dever eternamente os escassos cachets que se praticavam na época. Por isso, era-lhes muito prático promover esses "concursos", que não lhes custavam um centavo de qualquer maneira, porque a rapaziada queria era dar-se a conhecer ao público. Assim, sempre com lotações esgotadas, enchiam os bolsos à custa dos inocentes candidatos a roqueiros que lhes caíam nas garras. Devo dizer que nunca participei de nenhum desses "concursos" e que, nas poucas vezes que apareci em espectáculos promovidos por esses empresários, exigia o pagamento antes de entrar no palco - ou não entrava. Isto após ter sido atingido por diversos calotes, é claro.
Arlindo Conde era a excepção. Correctíssimo nas suas contas, não atrasava um dia os pagamentos aos artistas. É preciso que a verdade seja conhecida. Pela minha parte, nunca hesitei em dizê-la, tanto na época como agora, por isso a minha fama de "enfant terrible". Numa terra de vigaristas, Arlindo Conde destoava pela honestidade. Parabéns Arlindo!
P.S.: Vim a saber recentemente que o Arlindo Conde foi alvo de feroz perseguição pelos pseudo-comunas da abrilada (golpe neo-fascista de 25 de Abril de 1974), e que muitos daqueles que ele ajudou a lançar na carreira artística lhe viraram as costas, outros chegaram mesmo a apunhalá-lo. Em Portugal, infelizmente, é assim mesmo. Somente os medíocres, os oportunistas, os ladrões e os vigaristas vingam na vida.
Fotos de 1960; da direita para a esquerda:
Foto 1: Zeca, Arlindo Conde, J. Dores (meu pai, escritor), Fernando Conde.
Foto 2: Arlindo Conde, Zeca, locutor-apresentador (esqueci o nome), Fernando Conde.