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2/18/2011

A Hundred Pounds of Clay

É uma composição de Bob Elgin, Luther Dixon e Kay Roger. A primeira interpretação que conheci foi pelo Gene McDaniels em 1961. Fez parte de um EP do artista, em que também constam “Tower of Strength” e “The Secret”. Fiquei deslumbrado. Tanto não poderei dizer da versão seguinte que apareceu em Portugal, na voz de Johnny Hallyday, com o título de “Avec une Poignée de Terre”.

 

Coloquei esta música no meu repertório desde o primeiro dia qua a conheci. Esta é uma interpretação que gravei em 1986, 2 anos antes de me retirar para o Brasil, na biblioteca do meu apartamento de Alfragide, acompanhado com um violão de 12 cordas.

 

Ainda me restava algum cabelo nesta ocasião…

9/30/2008

God of Negroes [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

“Entrei em quadrícula” na região de Farim, no norte da Guiné-Bissau, como oficial do Batalhão de Caçadores 1887, em 1966, após uma estadia de poucos meses no quartel da Amura em Bissau. Todos aqueles meses de Guiné provocaram em mim uma grande tristeza e desânimo, ao constatar que os mais de 500 anos de presença portuguesa naquelas paragens não tinham produzido nenhum resultado civilizacional palpável. As populações indígenas viviam no meio das maiores carências, sem meios sanitários de qualquer espécie à sua disposição, não falando uma palavra da língua portuguesa, abandonadas, exploradas, ignoradas, desprezadas.

A administração pública e os lugares de chefia dentro da sociedade civil estavam entregues a uma elite de cabo-verdianos que exerciam a mais tirânica repressão sobre os guineenses. Estes, desamparados, pareciam até esquecidos por Deus. Foi então que me surgiu a idéia de me dirigir ao “Deus dos Negros” a pedir-lhe piedade para o seu povo, já que o deus dos brancos parecia tê-lo abandonado.

Assim nasceu “God of Negroes”, uma balada pungente, verdadeiro “negro spiritual”, como apelo derradeiro para a salvação de um povo inocente e infeliz, a quem mais ninguém parecia poder socorrer.

Mais tarde, os moços do Conjunto Académico de João Paulo pediram-me para gravar esta minha composição, o que fizeram, sem qualquer interferência da minha parte. Foram a minha casa um gravador portátil gravar a minha versão, e a próxima vez que ouvi falar da música foi quando a ouvi na rádio interpretada por eles. Tive pena de não me terem pedido algumas dicas que poderiam ter melhorado o resultado comercial final, principalmente no que respeita ao sotaque madeirense do Sérgio Borges, que eu poderia ter ajudado a corrigir para que o inglês ficasse mais decente, mas... paciência, não foi por falta de eu ter oferecido ajuda.

Enfim, aqui está a minha versão original, propositadamente repetitiva e monocórdica, tal como a concebi in loco na Guiné-Bissau.

NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.

7/24/2008

A Década de 60 [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

Escrita no final dos anos 70, esta canção é uma homenagem aos "anos dourados" e uma afirmação dos princípios fundamentais de uma geração. Ao mesmo tempo, constitui um compromisso com as gerações seguintes.
NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.

7/18/2008

Balada da Fome [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

Nos anos de 1963/1964 eu era frequentemente convidado para festas em casas de gente rica. Festas onde se esbanjava sem o menor pudor tudo aquilo que faltava na mesa dos pobres. Uma noite, regressado a minha casa depois de uma dessas festanças, sentei-me e escrevi esta música. A partir daí passou a fazer parte do meu repertório habitual e cantei-a em todos os lugares, inclusive nas casas dos tais ricaços, que insinuavam sorrisos amarelentos mas aplaudiam a contragosto. É uma das minhas muitas canções de intervenção social e cheguei a ser detido para interrogatórios após a sua execução pública. A minha resposta era sempre de que se tratava de uma música de divulgação dos princípios cristãos. Ponto final!

No Curso de Oficiais Milicianos (COM) de Mafra 1965, a Balada da Fome virou um verdadeiro hino, cantado em uníssono pelos 1.800 cadetes que o integravam. Na festa de final do curso efetuada a seguir ao juramento de bandeira e outras mascaradas militares, cantei-a na frente de todos os representantes do poder instituído que estvam ali presentes, inclusive as madames do Movimento Nacional Feminino. Pensei que iria direto dali para o xilindró, mas como a esmagadora maioria dos cadetes resolveu cantar o refrão comigo, teria sido necessário engavetar 1.800 pessoas - o que os calabouços da PIDE não comportavam...
NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.

7/17/2008

Tu sabes que eu te quero [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

Composta por mim no final dos anos 70, esta música foi o resultado de um desafio. O panorama do rock português estava em plena expansão, grandes nomes tinham surgido e vendiam discos às toneladas, acabava de surgir o Rui Veloso com o seu êxito "Chico Fininho", etc. Alguns amigos me comentaram que se dizia que o Rui Veloso era o criador do rock português, ao que eu respondi que quando ele nasceu, em 1957, já eu compunha e cantava rock. E talvez não fosse o único. Embora eu tivesse abandonado as lides artísticas em 1968, lançaram-me o desafio: "Serias capaz de compor e cantar HOJE uma música que mostrasse que ainda te corre sangue de rockeiro nas veias?"

O resultado está aqui. Mostrei-o somente a um número muito reduzido de amigos íntimos na época e regressei ao meu silêncio habitual. Hoje torno-o público.
NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.

Lugar para Dois [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

Compus este tema em 1961/62 e ele logo se tornou o favorito da mulherada que me rodeava na época. Claro que é uma afirmação meio machista de demarcação de território amoroso, mas não tão chauvinista como o U. S. Male, por exemplo. Procurei na parte musical encontrar uma combinação harmónica diferente do habitual, com um jogo ousado entre acordes maiores e menores, sendo um pouco inspirado por um dos meus grandes ídolos, o Del Shannon, embora sem indulgir em qualquer tipo de plágio.
NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.

Dizer-te Adeus [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

Todas as minhas composições são crónicas, quer da minha vida pessoal, quer do ambiente que me rodeia. Esta não foge à regra. Escrevi-a em 1964, homenageando uma namorada.
NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.