Primeiramente preciso afirmar que a classe política em geral, seja em que país fôr, me enoja. São, na sua maioria, parasitas da coisa pública, mentirosos, oportunistas, aproveitadores e gatunos - digo sem papas na língua e peço desculpa às poucas, mas honrosas, excepções.
Dito isto, falarei de quem elejo como meu preferido para o pódio dos melhores do Século XX. Trata-se, não de uma individualidade, mas de três. Não sei se algum deles padeceu de alguma das "enfermidades" que citei no parágrafo anterior. Elejo-os pelo que fizeram de positivo, não pelo que possam ter feito de negativo - se é que o fizeram. É, portanto, um primeiro lugar partilhado por 3 políticos vencedores:
Mahatma Gandhi
Nelson Mandela
Yasser Arafat.
São três heróis da Resistência e da Liberdade. Três exemplos de abnegação e entrega total a uma causa justa. Três modelos a seguir pelas gerações presentes e futuras. Mas cuidado: dois deles foram assassinados, como amiúde acontece com os justos...
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4/07/2008
Os meus preferidos do Século XX: Banda rock
Dois motivos principais constroem a base desta minha opinião: o incrível talento criador de Brian Wilson (muito bem coadjuvado pelo seu primo Mike Love), e a opção que eles fizeram desde o primeiro dia de utilizar harmonias vocais de tipo polifónico, quase sempre muitíssimo bem elaboradas e eximiamente executadas.
As músicas dos Beach Boys (estou a generalizar, é claro) tocam uma corda no meu coração que dificilmente outros grupos conseguem. Há uma auréola de sonho, algo de angélico, em volta das suas melodias que constitui uma constante ao longo da grande maioria das suas composições. Mesmo quando interpretam criações de outrem, eles conseguem imprimir esse selo de qualidade que dá uma fantástica uniformidade ao seu repertório.
Por isso, destacados no topo das minhas preferências, os Beach Boys ocupam uma posição firme e inabalável. Em segundo lugar ex aequo, coloco duas bandas: os Moody Blues e os Byrds. Estes últimos tiveram, infelizmente, uma existência fugaz, mas enquanto duraram pontificaram. Os Moodies, tal como os Beach Boys, continuam até hoje a premiar-nos com o seu formidável talento.
Então e os Beatles? – perguntará o leitor. Correndo o risco de ser esfolado vivo, ponho-os na mesma cesta de inúmeras outras bandas, também excelentes, como os Rolling Stones, os Led Zepellin, os Who, os Status Quo, os Pink Floyd, etc. Eu estava a morar em Londres (Radnor Walk, Kings Road, Chelsea) quando foram editados os primeiros singles dos Beatles. Sabem qual foi a minha reação? Detestei. Achei-os desafinados, agressivos, “desarmónicos”. E mantive essa opinião durante bastante tempo. Só comecei a gostar do grupo quando surgiram músicas como “Michèlle”, “Girl”, “All my loving”, etc. Até lá, das bandas britânicas, a minha preferência ia para Gerry and the Pacemakers, Brian Poole and the Tremeloes, Freddy and the Dreamers, Manfred Mann, etc, cujos sucessos dançava incessantemente no “Café des Artistes”, em South Kensington, boîte que frequentava dia sim, dia sim.
Conforme se pode verificar pela imagem acima, tive o privilégio de assistir a uma apresentação ao vivo da minha banda preferida, The Beach Boys, no passado dia 19 de Agosto de 2007. O espectáculo ocorreu no Wolf Trap (Foundation for the Performing Arts), um espaço cultural situado em Vienna, na Virgínia. USA. Confesso que ia preparado para ficar já satisfeito com algo mesmo que fosse uma sombra do som a que estava habituado nos discos dos Beach Boys. Isso já seria o suficiente para matar a minha sede de quase 50 anos de fã. Até porque tinha visto os vídeos de algumas apresentações ao vivo do Brian Wilson – que deixavam muito a desejar.
O que aconteceu, para minha enorme e saborosa surpresa foi, porém, exactamente o contrário. A banda está amadurecida, melhorada, enriquecida com músicos de muito melhor qualidade que os irmãos Wilson, e as suas interpretações durante 3 horas de show revivendo os maiores sucessos do conjunto, ultrapassam a qualidade dos registos discográficos. E esta, hein?! Sabiamente dirigida pela dupla Mike Love – Al Jardine, a banda, agora composta por 8 membros, mantém a assistência ao rubro durante a totalidade do concerto. A juventude dos anos 60, devidamente acompanhada de filhos e netos, dançou, pulou e sonhou a tarde inteira (fui à sessão das 14 horas), transformando o acontecimento num verdadeiro carnaval de alegria e prazer. Contagiante, rejuvenescedor, inebriante, transcendente, “religioso”, inesquecível!
O Brian Wilson nem apareceu fisicamente. Aliás, há décadas que ele tem um comportamento errático e receia enfrentar o público. Mas nós perdoamos-lhe tudo isso em troca da sua presença espiritual patente nas eternas melodias e harmonias que pariu e que o público desfruta com apetite insaciável.
Os Beach Boys estão em permanente tournée mundial, fazendo, em média, 170 apresentações por ano – uma média invejável. Consultem o calendário no website deles (http://www.thebeachboys.com/) e escolham a data e local do concerto que pretendem ver. Até dia 20 de Abril eles estão a apresentar-se na Grã Bretanha, aproveitem: It’s the experience of a lifetime!
4/04/2008
Os meus preferidos do Século XX: Cantor masculino
A minha escolha recai – é claro – sem pestanejar, em Elvis Presley.Elvis foi um cantor completo. Pode haver dúvidas se ele foi, ou não foi, o Rei do rock’n’roll. Não entrarei nessa controvérsia – até porque sou republicano. Direi, no entanto, que foi o melhor roqueiro de pele branca durante uma boa meia-dúzia de anos. E adiantarei ainda que, sem ele, o rock (ou rhythm and blues, se preferirem) jamais teria saído do ghetto em que nasceu. O seu único rival teria sido Buddy Holly, não tivesse a sua carreira (e vida) sido interrompida tão brutal e precocemente.
Mas o mais importante é que Elvis era bom em todos os gêneros musicais que interpretou. Como baladeiro foi inultrapassável. O timbre e o vibratto natural da sua voz são inimitáveis. Até hoje não surgiu nenhum cantor que possa considerar-se, mesmo que de longe, equiparável a Elvis.
Houve grandes intérpretes e compositores que não posso deixar de recordar, como Chuck Berry, Little Richard, Pat Boone, Paul Anka, Neil Sedaka, Ricky Nelson e, sobretudo, o inspiradíssimo Roy Orbison. Entre outros, eles fazem parte da minha galeria de cantores imortais do século XX, mas o lugar de honra pertence a Elvis Presley. Definitivamente.
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