3/04/2010

Desabafo


(ao meu amigo José Cardoso Fontão, um dos militares de Abril)

Amigo Zé,

Remeto-te este desabafo em primeira mão, antes de o publicar no meu blog, pelo respeito e admiração que me mereces, na qualidade de (ex-) militar de carreira honesto e competente – o único que conheci com tais qualidades. Passámos alguns meses de sã camaradagem em Farim, no norte da Guiné-Bissau, em 1966-68, quando eu era alferes tesoureiro e tu capitão oficial de operações do Batalhão de Caçadores 1887. Ali tivemos a oportunidade de nos reconhecermos mutuamente como democratas, amantes da liberdade, e (naturalmente) opositores ao regime de partido único que vigorava então no país. Ali cimentámos também um relacionamento a nível de famílias, uma vez que eu, como sempre, desde sempre e até sempre, não vou para lado nenhum sem a minha mulher e, portanto, ela foi para a guerra comigo; a tua esposa também se reuniu a nós por algum tempo em Farim e assim os dois casais comungaram de uma camaradagem inesquecível.

Admirei a coragem e frontalidade com que assumias as tuas posições político-sociais e creio que tu nutrias a meu respeito iguais sentimentos. Como deves lembrar-te, os nossos longos serões na casa que eu e a Heather partilhávamos em Farim com mais 3 camaradas de armas, eram recheados de discussões políticas e temperados pelas canções de revolta que eu havia composto ao longo dos anos, mais aquelas que compus ali mesmo.

Bastante viajado e muito lido, eu alimentava a grande esperança de ver um dia o meu país funcionar em plena democracia, sem censura e sem limitações à liberdade individual e coletiva que não fossem aquelas naturalmente impostas pelos códigos de leis aprovadas pelos órgãos democráticos competentes.

Tinha participado ativamente da campanha presidencial do general Humberto Delgado e provado o sabor das cargas de cavalaria da GNR. Tinha estado envolvido, ainda que com certa desconfiança, nas agitações acadêmicas de 1962/63 em Lisboa.  Participei mais tarde ainda mais ativamente das eleições legislativas de 1969, em que aceitei ser fiscal na minha assembleia eleitoral pela CEUD. Foi aí que comecei a perceber que havia elementos na oposição que mais não pretendiam do que substituir o regime fascista por um regime comunista e manter tudo o resto na mesma forma...

Todavia, pensava que o importante seria derrubar o regime e que o sistema multi-partidário se encarregaria de arrumar as pessoas segundo os seus ideais e partidos políticos que seriam submetidos regularmente à votação livre do povo.

No despontar do ano de 1974 não me parecia que aquele objetivo estivesse em vias de se tornar realidade. Na Assembleia Nacional, o grupo dos “liberais”, constituído principalmente por Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Mota Amaral e Alberto João Jardim, pouco ou nada conseguia fazer, dada a sua inferioridade numérica. Nas ruas, os movimentos de extrema esquerda pintavam paredes, semeavam bombas e faziam sabotagens a esmo, provocando a revolta do povo e não a sua adesão. Tudo levava a crer que o regime de partido único com quase 50 anos de existência iria eternizar-se no poder ad infinitum...

Fui, durante muitos anos, assinante da revista “Seara Nova” e comprava a maioria dos livros que aquela editora publicava, antes de serem apreendidos pela censura. Ali tomei conhecimento dos nomes e dos escritos de democratas e republicanos históricos, desde António Sérgio a Salgado Zenha, Sottomayor Cardia, Mário Soares, etc. Era, também, amigo de diversos jornalistas ligados ao jornal “A República”, cujo diretor, António Rego, muito admirava.

Jamais me havia passado pela cabeça que a instituição militar viesse a promover algum tipo de “reviralho”, dado o seu natural e histórico conservadorismo. Na realidade, o regime mantinha-se no poder precisamente graças ao apoio das Forças Armadas, cujo golpe de 28 Maio de 1926 tinha instituído a Ditadura Nacional que se mantinha até então no poder sob o nome de Estado Novo. Todos os Presidentes da República do regime, nomeados por escolha ou por eleições falseadas, tinham sido chefes militares: Gomes da Costa, Fragoso Carmona, Craveiro Lopes, Américo Tomás... O regime era uma criação militar e mantinha-se graças aos militares, a menos que...

A menos que alguma parte das Forças Armadas, agora infiltradas por milhares de oficiais e sargentos milicianos oriundos das camadas populares e acadêmicas, soltasse o “grito do Ipiranga” – o que me parecia um pouco utópico.

Foi então que, em Fevereiro de 1974, surgiu o livro “Portugal e o Futuro”, assinado pelo general António de Spínola. Fiquei sem fala! Não cheguei a conhecer o general Spínola na Guiné porque ele chegou lá para assumir o posto de Governador precisamente na ocasião em que eu regressei à Metrópole. Conheci somente o General Arnaldo Schultz, que foi Governador durante o meu período de comissão, e tive muito boas relações com ele.

Mas o livro de Spínola, que era o Vice-CEMFA, ou seja, o 2º mais alto responsável pelas Forças Armadas no país, parecia-me ser o gatilho que levaria ao fim do regime. Certamente que haveria seguidores para as suas ideias, pensei, dentro e fora das Forças Armadas.

Não me enganei. Tinha começado o processo irreversível que levaria à queda do regime por golpe militar dos “subalternos”, menos de dois meses depois. Não interessa esmiuçar quais os verdadeiros motivos, reivindicativos ou outros, que levaram aquele grupo a promover o golpe. O que interessa é que ele personalizou o anseio coletivo de um povo que queria soltar-se dos grilhões que há tanto tempo lhe tolhiam os movimentos.

Assim, sob o aplauso das multidões populares que invadiram as ruas, o regime caiu no dia 25 de Abril de 1974, sem qualquer tentativa de resistência. Caiu de velho, de podre, de inútil. Exultei de genuína alegria! Pensei que aquele iria ser o dia mais feliz da minha vida. E assim continuei pensando até que me apercebi de algo que jamais previra... e a minha ilusão terminou juntamente com a saída do general Spínola de Presidente da República, em Setembro de 1974.

Eu já tivera alguns sinais de que uma trama medonha se urdia pela calada contra o meu povo. Lembras-te, Zé Fontão, quando, poucos dias após o 25 de Abril, te fui visitar ao BC-5, cujo comando tinhas assumido? Talvez não te lembres, dado que andavas num rodopio para garantir o total sucesso do golpe militar. Mas, no decurso de um copo que tomámos rapidamente no Clube de Oficiais, tive ocasião de te dizer que estava surpreendido com o facto de que, agora que as barreiras pidescas e censórias estavam por terra, não encontrava nenhuma porta aberta para divulgar as dezenas de canções de intervenção que tinha composto ao longo dos anos. Um grupo auto-intitulado de “Canto-Livre”, constituído quase exclusivamente por refratários e desertores de extrema-esquerda, estava a monopolizar os meios de comunicação rádio-televisivos e os espetáculos públicos.

Procurei não dar demasiada importância a essa situação – que julgava transitória – e envolvi-me inteiramente na militância do Partido Socialista que, julgava preconizar o tipo de sociedade que eu ambicionava para Portugal. Ajudei a fundar o Centro de Trabalho de Santa Maria de Belém, juntamente com uma dúzia de camaradas. Participei de muitas lutas e resistência à tomada do poder pelos comunistas, que estiveram quase por um triz para conseguir os seus desígnios. Valeu-nos nessa ocasião o Jaime Neves, em homenagem a quem compus, na época, uma canção intitulada “Balada dos Comandos e dos comunas”, cujo refrão dizia:

“Vê, comuna, se te atreves
A enfrentar o Jaime Neves!”

Tive a ocasião de cantar pessoalmente esta balada ao Jaime Neves quando ele nos visitou no Parque de Campismo de Setúbal, onde eu passava os fins-de-semana.

Durante muitos meses assisti ao assalto aos sindicatos, à queda de todos os princípios de respeito e moralidade, à instituição da bandalheira por parte de TODAS as forças políticas em presença. Fui convidado para banquetes em herdades “ocupadas pelos trabalhadores” no Alentejo onde se esbanjava em um dia aquilo que demorara muitos anos a construir. Ah, como me vinha constantemente à memória a obra “Animal Farm” de George Orwell, e a inevitável comparação daqueles ocupadores da propriedade alheia com os porcos da novela. Igualzinho, caramba!

O PS tinha conseguido tomar de assalto (que era o que todos os partidos faziam) o Sindicato dos Profissionais de Escritório do Distrito de Lisboa (perdoa-me se o nome não está correto). O camarada que assumiu a presidência era nosso companheiro do Centro de Belém. Quando ele me lançou o convite “Zeca, traz a viola, vamos fazer um bacanal na sede do sindicato, com muitas garotas e muito whisky e champanhe na semana que vem”, eu fiquei perplexo. Tal como havia feito em relação às festas das herdades ocupadas afirmei “Mas isto era o que faziam os fascistas, nós não podemos ter esse tipo de comportamento!”. Porém, a resposta era sempre a mesma, qualquer que fosse a cor do pseudo-revolucionário inquirido, “Os fascistas não tinham o direito de fazer isto, mas nós estamos legitimados pela revolução, pela justiça revolucionária, pelo poder popular, pelo MFA e pelo PREC”. Cedo apresentei a minha demissão de militante do PS, principalmente após este ter ganho a primeira eleição livre e Mário Soares se ter revelado um péssimo primeiro ministro e formado um governo sem a mínima idéia de Estado.

Diversas pessoas, militares e civis, que eu conhecia e com quem privava, e que tinham sido reconhecidamente servidores e adeptos do regime fascista, fizeram repentinamente o que eles apelidaram de “opção de classe” e partiram cegamente à “caça dos fascistas”, usando de todas as torpezas e arbitrariedades, e desencadeando um processo que eles chamaram de “saneamento”, para derrubar pessoas, quase sempre as mais aptas e competentes, que se encontravam no seu caminho para o topo. O malfado CopCon de má memória foi um exemplo flagrante de como os militares podem destruir a Sociedade.

Assim se instituiu o reino da incompetência e da mediocridade que governa Portugal até hoje. A tentativa por parte de Sá Carneiro em 1980 de apresentar ao eleitorado uma alternativa de centro, foi premiada com um assassinato descarado. Todas as forças políticas abafaram o acontecimento como se estivessem envolvidas no atentado. Nunca fui capaz de compreender isto.

Quanto à chamada “descolonização exemplar”, nem vale a pena falar. Tratou-se de uma rendição incondicional com entrega do poder e do armamento a grupelhos comunistas sem o mínimo embasamento popular, que denegriu para sempre a imagem das nossas Forças Armadas e traiu a memória dos nossos irmãos que tombaram mortos em terras africanas ao longo de mais de uma dúzia de anos de conflito armado. Nuno Álvares Pereira levantou-se do túmulo e vomitou de desgosto e revolta. E as populações das ex-colónias “libertadas” envolveram-se em guerras civis infindáveis, por única e exclusiva culpa dos nossos políticos e militares.

Apesar de tudo isto, e apesar de a maioria dos membros da família terem abandonado o país para nunca mais voltar, eu continuei remando contra a corrente por mais de uma dúzia de anos, acreditando no milagre de uma mudança para melhor. Enganei-me redondamente.

Finalmente, sentindo-me traído e ludibriado, saí definitivamente do país no início de 1988.

Se alguma coisa lamento hoje, foram os anos estúpidos que passei em Portugal, desde finais de 1974 até Janeiro de 1988, apostando num cavalo coxo, dando a minha energia e criatividade como empresário e como cidadão para um projeto que somente visava os interesses mesquinhos e egoístas de uma classe de vigaristas e atrasados mentais que tomaram conta do país e o sugaram até o exaurir sem o mínimo respeito por nada nem por ninguém. Esses mesmos e os seus herdeiros encontram-se no poder ainda hoje e não parece haver como desalojá-los, uma vez que as novas gerações, vítimas de sistemáticas lavagens cerebrais, deixam-se cozer (como os sapos da anedota), com um sorriso nos lábios estupidificados, no caldeirão da incompetência nacional.

Por isso, meu amigo Zé Fontão, tenho o arrojo de perguntar-te, como representante do MFA que fez o golpe de 74: achas que valeu a pena?...

Um grande abraço!

Zeca

1/16/2010

Feliz Ano Novo!



Pois é, bons amigos! Cá estamos, ou melhor, por cá continuamos na nossa jornada.

O ano de 2010 começou mal: intempéries e desastres de todas as espécies marcaram o seu início. E ainda agora a procissão vai no adro...

De qualquer maneira, não podemos deixar passar esta ocasião sem desejar a todos os que lerem este post, e em especial aos nossos familiares e amigos espalhados pelo mundo, um ano cheio de saúde, amor e conforto.

Que as desditas que assolam o planeta possam servir como fontes de meditação e aprimoramento físico e espiritual para todos, focalizando as suas mentes nos verdadeiros valores morais e comportamentais que devemos cultivar para nos transformarmos em melhores seres humanos e fazermos do mundo uma verdadeira Fraternidade.

Abraços fraternais!

Heather & Zeca

12/03/2009

Fim de Namoro

Declaro aqui publicamente que, após um período de alguns meses de zangas e desilusões, está definitivamente terminado o meu namoro com o Senhor Barack Hussein Obama.

Há muitos anos que deixei de apoiar políticos. Sempre exerci e exerço o meu direito de voto em todas as eleições, esforçando-me por votar no menos péssimo dos candidatos que se apresentam. Jamais tenho a ingenuidade de pensar que qualquer dos candidatos irá fazer algo melhor do que os seus antecessores no cargo. Longe de mim tal pensamento infantil!

Abri uma pequena excepção com o Senhor Obama, dando-lhe, durante um período de tempo muito limitado, o chamado "benefício da dúvida". É esse benefício que agora formalmente lhe retiro. Afinal o fulano é mesmo igualzinho a todos os outros políticos. Só mudou a cor exterior: o conteúdo é feito do mesmo esterco.

Lamentavelmente,

Zeca

10/31/2009

O Empresário Arlindo Conde



Quase ninguém mais se lembra do empresário Arlindo Conde, nem mesmo para dizer que ele era o pai do roqueiro Fernando Conde, Por isso, quero aqui prestar-lhe uma devida homenagem.

Arlindo Conde fez muito pela música portuguesa no início dos anos 60. O seu passatempo PAC (Produções Arlindo Conde) que acontecia no Eden Teatro aos domingos de manhã, foi o mais importante acontecimento musical lisboeta (quiçá nacional) durante muito tempo.

Fala-se muito dos concursos de rock do Teatro Monumental e outras iniciativas semelhantes promovidas por outros empresários. Só o que ninguém diz é que esses outros empresários não pagavam aos artistas, ficavam-lhes a dever eternamente os escassos cachets que se praticavam na época. Por isso, era-lhes muito prático promover esses "concursos", que não lhes custavam um centavo de qualquer maneira, porque a rapaziada queria era dar-se a conhecer ao público. Assim, sempre com lotações esgotadas, enchiam os bolsos à custa dos inocentes candidatos a roqueiros que lhes caíam nas garras. Devo dizer que nunca participei de nenhum desses "concursos" e que, nas poucas vezes que apareci em espectáculos promovidos por esses empresários, exigia o pagamento antes de entrar no palco - ou não entrava. Isto após ter sido atingido por diversos calotes, é claro.

Arlindo Conde era a excepção. Correctíssimo nas suas contas, não atrasava um dia os pagamentos aos artistas. É preciso que a verdade seja conhecida. Pela minha parte, nunca hesitei em dizê-la, tanto na época como agora, por isso a minha fama de "enfant terrible". Numa terra de vigaristas, Arlindo Conde destoava pela honestidade. Parabéns Arlindo!

P.S.: Vim a saber recentemente que o Arlindo Conde foi alvo de feroz perseguição pelos pseudo-comunas da abrilada (golpe neo-fascista de 25 de Abril de 1974), e que muitos daqueles que ele ajudou a lançar na carreira artística lhe viraram as costas, outros chegaram mesmo a apunhalá-lo. Em Portugal, infelizmente, é assim mesmo. Somente os medíocres, os oportunistas, os ladrões e os vigaristas vingam na vida.

Fotos de 1960; da direita para a esquerda:
Foto 1: Zeca, Arlindo Conde, J. Dores (meu pai, escritor), Fernando Conde.
Foto 2: Arlindo Conde, Zeca, locutor-apresentador (esqueci o nome), Fernando Conde
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10/13/2009

A minha área de trabalho


É neste canto do meu amplo escritório, que eu passo 3/4 partes do meu dia.

Sou utilizador de computadores desde os anos 70, quando adquiri o meu primeiro Sinclair ZX-Spectrum de 16 K-RAM, que toda a gente utilizava para brincar com jogos, mas que eu consegui pôr a funcionar para finalidades de trabalho. Depois saiu o 32-K e o 48-K, que foi o último que eu tive, até que o preço dos PCs caiu bastante e eu passei a trabalhar com eles. As graduações seguintes do Spectrum (acho que chegou até 128 K de RAM) não cheguei a adquirir.

Não vale a pena dizer aqui a aventura que foi todo este percurso desde o meu primeiro computador até à poderosa máquina atual, que tem mais poder de computação do que tinham todos os computadores do mundo do início dos anos 70 juntos. É uma ferramenta sem a qual não imagino a vida. Curiosamente, nunca gostei de jogos e continuo a não gostar, portanto jamais usei um computador como um brinquedo...

Quanto à Internet, também posso considerar-me pioneiro. Utilizo-a desde que o seu uso - que inicialmente era restrito a organizações governamentais e militares e algumas universidades - foi liberado para o público em geral, em meados dos anos 90. Com a família e amigos distribuídos pelo mundo afora, seria impossível manter um contacto tão frequente, não fora o aparecimento da Internet e de todas as aplicações baseadas nela, como o e-mail e o VOIP, que permite fazer chamadas telefónicas a custo próximo do zero.

A Heather e o seu Laptop


Em outro canto do escritório, fica a área da Heather.

A Shandy fez cruzeiro pelas Bahamas & Cia.





A ida mensal à podóloga


O pior são as cócegas!...

A Sophia, a Rebecca e os (outros) gatinhos



8/10/2009

A minha bandeira portuguesa


Primeiro que tudo, preciso afirmar com clareza que não sou Monárquico. Nem Republicano. Nem Fascista. Nem Comunista. Ninguém me pergunte o que sou, porque eu também não sei. Mas certamente, nenhum dos rótulos que enunciei me servem.

Dito isto, passo a confessar que nunca me agradou a bandeira verde-rubra dos republicanos. Acho-a tremendamente dissonante, desarmoniosa, berrante, negativa. Tem o vermelho dos comunistas (sangue, guerra, violência, tortura) derramado sobre o verde dos fascistas e legionários que a eles se equivalem em género, número e grau. Portugal não tem nada a ver com essas cores predominantes. Tem-nas em pequena quantidade no seu escudo, mas jamais nas cores básicas da sua bandeira.

Por isso, resolvi refazer a bandeira nacional, de acordo com critérios racionais e históricos, que mais não são do que a face visível dos critérios ocultos que subjazem à existência de qualquer nação.

As cores azul e branca sempre figuraram na bandeira portuguesa desde o primeiro momento. Os escudos do Conde D. Henrique, bem como dos reis Afonso Henriques e Sancho I eram azuis e brancos. Isso para mim é suficiente para estabelecer que a fundação da nacionalidade se baseia nessas duas cores fundamentais. Por isso, escolhi-as para fundo da minha bandeira portuguesa. De resto, esse fundo existiu nas últimas bandeiras monárquicas portuguesas, a partir de D. Pedro IV (que, como se sabe, foi também o Imperador D. Pedro I do Brasil).

Quanto ao escudo, nada de coroas ou símbolos de poder absoluto. Achei que era importante usar o brasão que se sabe ter sido o primeiro a ser usado como bandeira nacional: o escudo de D. João I, Mestre de Avis. Se D. Afonso Henriques iniciou uma dinastia de fundação e consolidação de um país, D. João I iniciou uma dinastia de expansão e glória como nunca mais seriam vistas na nossa história.

Assim surgiu a minha bandeira portuguesa, que proponho aos meus compatriotas seja adotada em substituição do trapo sujo e sem significado que é a bandeira atual. Talvez assim possamos regressar às raízes e restaurar um pouco da nossa grandeza de outrora.

Até lá, eu vou considerando esta como a verdadeira bandeira portuguesa, fazendo-a flutuar nos planos onde reinam a Luz, a Vontade e o Poder.

8/03/2009

Carla e Heather


A Carla e a Heather (ambas sem maquiagem) preparando-se para o almoço de domingo (ontem). As febras de porco estavam a grelhar na chapa por minha conta, que aproveitei para rapidamente tirar esta foto.

7/12/2009

Dando Notícias (2)


Mais uma postagem de caráter informativo.

Continuamos labutando pela reorganização das nossas fontes de rendimento.

As instalações da nova escola de idiomas no perímetro da nossa casa ficaram excelentes. Melhores do que em qualquer das casas que alugamos anteriormente para o efeito. As nossas salas são amplas, arejadas e confortáveis, sem infiltrações, humidades ou bolor, bem pintadas e limpas. Não perdemos nem um centímetro quadrado do nosso espaço social, porque as 5 salas de aulas que temos surgiram de espaços não aproveitados ou subaproveitados. Continuamos com a nossa área social integral, incluindo uma suite para visitas sempre pronta a ser utilizada. Melhor ainda, aproveitámos para fazer algumas melhorias e remanejamentos de móveis, etc, que deram uma cara nova e rejuvenescida à propriedade.

Estamos agora a fazer uma divulgação seletiva da nova localização da escola junto aos bairros circundantes, a fim de angariar alunos localmente, porque perdemos a maioria dos que sobravam da fase anterior.

Simultaneamente, continuamos a fabricar e distribuir as nossas doses individuais de Toucinho do Céu, que vêm tendo bastante sucesso e começam a ter clientela certa de restaurantes e cafés, além de consumidores avulsos. Em breve introduziremos um outro produto para alargar o leque de possíveis clientes interessados.

O nosso romance de amor, novo de 44 anos, continua florescendo como no primeiro dia. É deslumbrante a experiência de crescermos juntos, física e espiritualmente.

Filhas e netas, estejam próximas ou distantes, vivem existências paralelas às nossas, por vezes até divergentes, como se pertencessemos a planetas diferentes. Mas enfim, lá se vão tentando descobrir os máximos denominadores comuns que permitem a continuidade da família. O mais curioso é que - ao contrário do que sucedia entre nós e as gerações anteriores - as gerações das nossas filhas e netas são, em vários aspectos essenciais, mais conservadoras e estáticas do que nós. Mais intransigentes e menos afoitas. Decididamente mais quadradas!

Cada vez se torna mais claro (como se tal fosse possível) que demos o passo certo quando nos mudámos para o Brasil. Os acontecimentos mundiais do dia-a-dia no-lo demonstram diariamente ao vivo e a cores. É um verdadeiro privilégio residir nesta terra abençoada.

Beijos para todos!

6/07/2009

Santos Populares

No Brasil, a época dos Santos Populares chama-se Festas Juninas. Durante 6 sábados consecutivos há festa da grossa na Casa de Portugal de Campinas, com vinho e pratos tradicionais portugueses. A Heather e eu, marcamos a nossa presença vendendo doces portugueses para a sobremesa, designadamente as porções individuais da nossa receita de "toucinho do céu", que se podem ver na foto em primeiro plano nas suas vistosas embalagens.

Uma menção especial para o Rancho Folclórico da Casa de Portugal de Campinas, que nada fica a dever aos melhores existentes na metrópole. Especializado em cantares e dançares minhotos, a todos delicia com as suas chulas e viras eximiamente executados.

As netas vão crescendo


Em 11 de Maio a Rebecca fez 17 anos. Em 5 de Junho a Sophia fez 14, dia em que foi tirada esta foto. Parabéns!!!

5/15/2009

Pão, Amor e Totobola: Sonho Realizado!

Há cerca de um ano e picos lancei um apelo público para que alguém me conseguisse arranjar uma cópia do filme "Pão, Amor e Totobola", no qual tive uma participação.

Há muitos anos que vinha fazendo eu próprio essa busca, sem o menor sucesso. Julguei sinceramente ser uma missão impossível, por vários motivos óbvios, entre os quais o facto de que NUNCA foi lançado em DVD.

Todavia, como foi feito um lançamento em VHS e circulou pelo mercado dos vídeo-clubes, fiquei com uma ténue esperança de que o milagre se pudesse realizar um dia.

Pois, meus amigos, esse dia chegou.

Em 23 de Abril passado, recebi um e-mail do amigo Carlos Santos dizendo o seguinte:

"Tenho andado a "farejar" por tudo quanto é sítio e acho que descobri uma cópia do filme - Pão Amor e Totobola. Amanhã mesmo vou a casa do Daniel Bacelar para passar essa cópia de VHS para DVD."

Fiquei em polvorosa; nem queria acreditar. Seria que o milagre se realizara?

Pelo que sei, o Daniel e a Fernanda Bacelar trabalharam com afinco, esmero e zelo no projeto. E, sobretudo, com uma dose enorme de carinho. No dia 27 de Abril, um e-mail do Daniel afirmava:

"ZECA
Já vai a caminho!!!!
Agora não rôas as unhas!!!!!"

Mas é claro que fiquei a roer as unhas. O serviço postal no Brasil, ultimamente, tem estado péssimo. Por isso preparei-me para uma longa espera. O suspense tornou-se obsessivo.

No mesmo dia, o Daniel ainda mandou outra mensagem, na qual explicava:

"O mérito é todo do Carlos que foi descobrir o VHS no espólio de uma escola qualquer. Segundo parece quando a LUSOMUNDO (a antiga) faliu, ofereceu a uma série de escolas os filmes que tinham em armazém. Este "Pão Amor e Totobola" nem sequer chegou a estar á venda ao público. Como poderás ver no DVD, a imagem está óptima, pois o VHS nunca tinha sido visionado em sitio nenhum."

Finalmente, ontem, o pacote chegou. São e salvo. Um trabalho perfeito. A cópia está, realmente, em estupendas condições e o documento histórico, que mostra claramente a Lisboa do início dos anos 60, encontra-se finalmente em meu poder.

É também o resgate de uma parte da minha juventude porque, embora as minhas imagens na película sejam breves, demasiado breves até, trouxeram de volta à minha memória pessoas, episódios e momentos que foram muito gostosos de reviver.

Não tenho palavras para agradecer ao Carlos Santos, e ao Daniel e Fernanda Bacelar por esta demonstração fantástica de carinho, de simpatia, de camaradagem e de altruísmo. Foi um gesto inestimável, que para sempre figurará em lugar de ouro no meu coração.

Bem hajam, meus amigos, muito obrigado!

5/10/2009

Dando Notícias (1)

Faz tempo que não dou a devida e merecida atenção ao blog. Mas tenho um bom par de desculpas muitíssimo plausíveis para justificar isso.

A primeira prende-se com motivos de saúde: duas operações e uma crise de pancreatite aguda deixaram-me fora de jogo durante um tempo. Nada de muito grave; somente chato... e doloroso.

A segunda prende-se com a crise econômica que o mundo atravessa: a nossa escola deixou de ser rentável e precisámos repensar toda a nossa estrutura profissional para contornar o problema, já que os parcos rendimentos que possuímos (aposentadoria, juros, etc) não cobrem nem metade das nossas despesas, apesar de levarmos uma existência totalmente espartana. Decidimos largar as instalações alugadas que mantínhamos e reconverter parte da nosssa casa para funcionar como escola. Estamos na fase final dessa reconversão, mas ainda nos faltam os alunos locais de que carecemos para faturar o mínimo necessário. Vamos passar as próximas semanas focalizados na divulgação. As mudanças no web site da escola refletem tudo isto: www.globalteam.com.br/.

Um terceiro motivo para esta ausência temporária tem a ver com a tarefa a que meti ombros de publicar diversas obras na net em formato de e-books e registros mp3. Trata-se de trabalhos do foro esotérico em que estive envolvido nos últimos 30 anos. Uma dádiva ao mundo, já que ofereço os downloads completamente de graça: www.globalteam.com.br/amerlantis. Estou a meio desse trabalho moroso mas muito gratificante. O número de pessoas que têm baixado as obras é incrível, o que revela a apetência que o público tem por este tipo de informação. Isso dá-me uma grande alegria espiritual.

Hoje é o dia de aniversário da Heather. Não vamos fazer nenhuma festa, nem sair para comer fora. Continuaremos com o nosso estilo espartano de vida, cozinhando a nossa própria comida, e dando graças pela ventura de continuarmos juntos, consolidando um amor de quatro décadas e meia, que resiste a todas as crises e abalos com total estoicismo e verticalidade.

Parabéns, Heather, a tua juventude é perene!

1/11/2009

Feliz Ano Novo de 2009!

Como quase todos os anos acontece, ficámos num período de recesso durante a época de Natal, meu aniversário e Revéillon.
Aconteceu muita coisa durante o ano de 2008 que merecia uma profunda e elaborada reflexão, para dali se poderem extrair as devidas conclusões e consequências, tanto ao nível pessoal e familiar, como ao nível planetário e espiritual. Nesta data ainda é cedo para considerar esse trabalho completo mas já é possível ter alguma perspectiva que nos deixa antever as linhas gerais do que tem que ser feito em 2009 e daí em diante.
O ano de 2009 vai ser um ano de grandes mudanças. Algumas são-nos impostas do exterior, mas outras têm que ser fruto do nosso livre-arbítrio e poder de adaptação às novas realidades que aí estão, mais as que estão por vir. Temos todos que estar fortes e flexíveis para todas as eventualidades. Não adianta negar as transformações e, muito menos, tentar resistir-lhes. Agora, mais do que nunca, remar contra a maré é contra-producente.
Após termos posto em prática o nosso plano de mudanças pessoais e familiares, devemos apressar-nos a colaborar na co-criação do plano planetário. Para tanto, devemos sintonizar-nos mentalmente com os milhões de outros seres humanos que compartilham conosco dos ideiais de justiça, fraternidade e amor universais, em conjunto com os grandes Mestres da Sabedoria Universal, nos planos mais elevados.
Entrámos o ano sob a influência de uma das mais injustas e cruéis carnificinas que este planeta jamais conheceu. O genocídio praticado pelos sionistas sobre o povo indefeso da Palestina é inaceitável, imperdoável e de uma imoralidade atroz. Todavia, as grandes potências mundiais fecham os olhos em silenciosa cumplicidade. Os nazis europeus e os segregacionistas sul-africanos começam a parecer-nos verdadeiros aprendizes de feiticeiro em comparação com os carrascos sionistas "à la Pol Pot". Isto é muito, muito grave, e somente pode augurar catástrofes inimagináveis, que inevitavelmente podem surgir em resposta a este holocausto. Porque violência gera violência, o ciclo pode alcançar proporções apocalípticas. Todos precisamos usar a maior força do nosso poder mental para ajudar a evitar o pior.
É, portanto, no conhecimento das grandes dificuldades que se aproximam (e apesar disso), que desejo a todos os meus familiares, amigos e leitores em geral, um novo ano de 2009 cheio de saúde, paz profunda e muito amor.
Bem hajam!DSC02700a

10/20/2008

In Memoriam - Emmanuel Flores

Uma tiste notícia: Faleceu hoje na sua casa em Huelva, Espanha, o nosso grande amigo Emmanuel Flores, vítima de cancro no pulmão. Aqui deixamos expressa a nossa grande mágua pela sua perda e endossamos os nossos sentidos pêsames a toda a família Flores.

9/30/2008

God of Negroes [Ouvir/Baixar] - Gravações domésticas

“Entrei em quadrícula” na região de Farim, no norte da Guiné-Bissau, como oficial do Batalhão de Caçadores 1887, em 1966, após uma estadia de poucos meses no quartel da Amura em Bissau. Todos aqueles meses de Guiné provocaram em mim uma grande tristeza e desânimo, ao constatar que os mais de 500 anos de presença portuguesa naquelas paragens não tinham produzido nenhum resultado civilizacional palpável. As populações indígenas viviam no meio das maiores carências, sem meios sanitários de qualquer espécie à sua disposição, não falando uma palavra da língua portuguesa, abandonadas, exploradas, ignoradas, desprezadas.

A administração pública e os lugares de chefia dentro da sociedade civil estavam entregues a uma elite de cabo-verdianos que exerciam a mais tirânica repressão sobre os guineenses. Estes, desamparados, pareciam até esquecidos por Deus. Foi então que me surgiu a idéia de me dirigir ao “Deus dos Negros” a pedir-lhe piedade para o seu povo, já que o deus dos brancos parecia tê-lo abandonado.

Assim nasceu “God of Negroes”, uma balada pungente, verdadeiro “negro spiritual”, como apelo derradeiro para a salvação de um povo inocente e infeliz, a quem mais ninguém parecia poder socorrer.

Mais tarde, os moços do Conjunto Académico de João Paulo pediram-me para gravar esta minha composição, o que fizeram, sem qualquer interferência da minha parte. Foram a minha casa um gravador portátil gravar a minha versão, e a próxima vez que ouvi falar da música foi quando a ouvi na rádio interpretada por eles. Tive pena de não me terem pedido algumas dicas que poderiam ter melhorado o resultado comercial final, principalmente no que respeita ao sotaque madeirense do Sérgio Borges, que eu poderia ter ajudado a corrigir para que o inglês ficasse mais decente, mas... paciência, não foi por falta de eu ter oferecido ajuda.

Enfim, aqui está a minha versão original, propositadamente repetitiva e monocórdica, tal como a concebi in loco na Guiné-Bissau.

NOTA: Estas gravações domésticas são como rascunhos. Feitas em gravador de cassettes, sem recursos de espécie alguma, destinam-se unicamente a figurar como fichas num arquivo de memórias.